Tenho um gatinho bebé. E agora, como o devo alimentar?


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Gatinho bebé a beber leite

A alimentação dos gatos bebés requer cuidados especiais. Quer saber quais? Com este artigo, vai tornar-se num(a) especialista.

Está a pensar adotar um gatinho ou a sua gata de estimação teve uma ninhada? Ter um animal de estimação traz consigo uma grande dose de responsabilidade. Entre os cuidados de higiene, vacinação, desparasitação, também precisa de saber tudo sobre a sua alimentação. Reunimos um conjunto de conselhos para que não lhe escape nada.

Leite materno, comida humedecida ou ração. Cada fase da vida do seu gatinho corresponde a um tipo de alimentação. Tenha em atenção os seguintes aspetos.

O que devem comer os gatinhos recém-nascidos?

Um gato recém-nascido possui um tubo digestivo adaptado à digestão do leite. Nas suas primeiras horas, devem consumir o colostro, isto é, o primeiro leite materno, rico em anticorpos, essenciais para uma defesa imunitária contra doenças infeciosas. Entre as cinco e as sete semanas, ocorre o período de amamentação. No entanto, após este momento, o gatinho vai perdendo a capacidade para digerir a lactose, o principal açúcar do leite.

Em nenhum momento deve considerar o leite de vaca, uma vez que, além de ser demasiado rico em lactose, apresenta um teor energético insuficiente.

Quando é que o meu gatinho deixa o leite materno?

Pode – e deve – a partir da quarta/quinta semana de vida, começar a introduzir alimentação sólida ao seu gato. O importante é que não mude de repente de uma dieta líquida (leite) para um alimento sólido. Para facilitar esta transição, poderá, por exemplo, hidratar o alimento sólido com água tépida ou com leite de substituição para gatinhos.

Outra opção é oferecer uma mistura de um alimento seco com um alimento húmido de elevada qualidade e sempre indicado a esta fase de vida. Experimente misturar uma porção de água morna com três partes de comida seca ou húmida, que deverá ficar com o aspeto de umas papas de aveia. O objetivo é que, durante as semanas seguintes, diminua a quantidade de água enquanto aumenta a quantidade de comida.

Garanta que o alimento é muito palatável para atrair o animal, e desenvolvido para corresponder às suas necessidades nutricionais.

Quando chegar o momento em que os seus felinos deixam de vez o leite materno, certifique-se que eles comem, pelo menos, quatro vezes ao dia. A razão é simples: os gatos normalmente reagem melhor quando comem porções pequenas várias vezes por dia. Vai notar que o seu gato começa a comer cada vez mais ração até estar completamente desmamado, normalmente aos três meses.

A fase de crescimento dos quatro aos 12 meses

É a partir dos quatro meses de idade que a velocidade de crescimento dos gatos começa a diminuir (fase de consolidação) e o animal atinge gradualmente o seu tamanho adulto. Desta forma, é necessário oferecer-lhe um alimento com um teor energético adequado e de elevada digestibilidade, uma vez que as suas aptidões digestivas só atingem a maturidade ao ano de idade.

Esta fase da vida caracteriza-se ainda pelo início da queda dos dentes de leite e aparecimento dos primeiros dentes definitivos, que terminam o seu crescimento por volta dos 6 meses de idade. O alimento deve, por isso, começar a ter em consideração a higiene oral, através de um croquete com um tamanho adaptado que estimule a mastigação. Trata-se, portanto, de uma “higiene alimentar” e não de produtos próprios, que só deverão começar a ser aplicados após os 6 meses. 

O que não pode faltar na alimentação

Desde o primeiro minuto de vida do seu jovem amigo de quatro patas, até quando começa a crescer, há cuidados que não pode simplesmente ignorar.

Nas primeiras semanas de vida, a imunidade transmitida ao gatinho pela mãe reduz progressivamente. Por isso, é importante que a partir deste momento, se certifique que reforça as defesas imunitárias do seu felino. A alimentação deve dar resposta às necessidades do animal, evitando um défice nutricional que, consequentemente, agrava a sua fragilidade imunitária.

Antioxidantes como as vitaminas E, C, luteína e taurina, bem como oligoelementos como as fibras fermentescíveis, são alguns exemplos de nutrientes que ajudam a estimular as defesas imunitárias.

É importante realçar ainda que os gatos bebés, como estão em crescimento e brincadeira constantes, necessitam de duas a três vezes mais proteína e gordura, quando comparados aos gatos adultos.

O alimento dos gatinhos deve incluir uma quantidade considerável de ácidos gordos Ómega 3, indispensáveis para o correto desenvolvimento do sistema nervoso central.

Para promover o crescimento ósseo, é essencial uma correcta contribuição de cálcio que acompanhe as necessidades dos gatinhos que variam ao longo do período de crescimento.

Não podemos deixar de sublinhar a importância da água. Mesmo que a adicione à ração para humedecer, não é suficiente para manter o animal hidratado. Sabia que 70 a 80% da massa corporal do gato bebé é água?

Além de ajudar na ingestão da comida (sobretudo na ração seca), mantém os gatinhos saudáveis, hidratados e evita o engasgamento causado pelo aparecimento constante das bolas de pelo que os felinos acumulam no estômago. Não se esqueça de manter o bebedouro cheio e é recomendado que a água seja substituída duas vezes por dia.

Peixe cru, laticínios, doces, carne de porco, enchidos, fiambre e queijo são alguns alimentos que não deve dar de comer ao seu gato.

Cuidado com as alterações!

Nesta fase tão importante da vida do animal, deverá evitar alterações bruscas na alimentação para não provocar perturbações digestivas. Quando trouxer um gatinho para o seu lar, informe-se sobre o modo de alimentação e qual o alimento fornecido. Se pretender alterar o alimento, deve respeitar uma transição alimentar com uma semana de duração. Esta transição permite minimizar os riscos de alterações gastrointestinais, muito prejudiciais ao correto desenvolvimento do gatinho.

Em relação à taça de comida, substitua-a várias vezes ao dia, independentemente do tipo de ração. Os gatos bebés, mesmo que comam habitualmente bem, costumam “torcer o nariz” à comida que esteja exposta ao ar durante um longo período. Esta substituição reduz ainda o risco de possíveis contaminações, bem como a oxidação natural do alimento exposto ao ar.

Em caso de qualquer dúvida sobre a alimentação do seu companheiro, já sabe que pode contar com o seu Dr. Bigodes.

A não esquecer:

  • Adapte a alimentação do seu gatinho consoante a sua fase de vida.
  • O leite materno é importante nas primeiras semanas de vida do gato recém-nascido, pois é rico em anticorpos que favorecem a defesa imunitária.
  • Na quarta/quinta semana de vida, apresente alimentação sólida ao seu gato mas não faça esta transição de dieta de forma repentina.
  • A partir dos quatro meses, garanta que a alimentação contém um teor energético adequado, de elevada digestibilidade e que estimule a mastigação.
  • Certifique-se que o gatinho se mantém hidratado, que evita alterações bruscas na alimentação e substitui, várias vezes ao dia, a taça de comida.